O mais provável é que aquele fosse o cenário perfeito. Olhar atento para a tela do computador, caneca cheia de café quente por perto, um clima deprimente do outro lado da janela, um documento em branco e um coração em chamas. Seus dedos formigavam. Os ouvidos zuniam. Nas veias pulsava a vontademais que isso, a necessidadede enfim encontrar os tão viáveis meios de colocar pra fora aquela agonia. Assim como das outras vezes, pensaria em qualquer bobagem que fosse, qualquer ideia, qualquer sensação, e escreveria algum absurdo encaixando a verdade entre as entrelinhas. Devia ser mesmo um talento... ou era muito boa em deixar as coisas subentedidas ou tinha sérios problemas com expressão. Que fosse. Sempre fez bem e sempre recebeu elogios quanto a isso. Sim, era a melhor saída.Mas depois de alguns minutos, por trás do barulho da televisão só havia o vazio. Alguma espécie de paralisia que congelava seus pensamentos e, mesmo que algum surgisse, não haviam os comandos para que fossem registrados. De repente não conseguia mais falar ou escrever. Parecia que a vista lhe estava sendo tomada aos poucos. E ainda assim a vontade de ser entendida, a ansia por uma conclusão... e ainda assim, um pouco mais de nada. Não ficou parada. Tratou de recapitular as intensões. Ouviu as melhores músicas. Releu os textos mais famosos. Entoou poesias, desafinou alguns cantos, rabiscou algumas palavras e então, nada. Mas não era um vazio comum. O que fazer com toda aquela angústia muda, retraída, que mesmo imóvel procurava meios de se libertar?! Ou melhor não fazer?E com os olhos ainda imóveis, procurou no mesmo vazio para encontrar a resposta. Apurou os sentidos e sentiu mais de perto o que o peito alertava. Sentia... dor, primeiramente... e então a vontade... sentiu a impaciencia e a solidão. A voz inaudível que emitia tinha necessidade do outro, seja ele quem fosse. O outro que a visse e a entendesse, mesmo sem som e sem palavra. Um interpretador de sonhos e de canções não compostas. E com a resposta veio a paz. Voltou a sentir os próprios reflexos e suspirou.
Ao encarar novamente a tela, entendeu o pisca-pisca do cursor como um novo desafio. A menina voltou a escrever. E já não havia entrelinhas ou segredinhos escondidos pelos cantos. Seguindo a nova direção, lhe escreveu as palavras que sua própria voz lhe dizia. No fim das contas uma pequena estória se formou onde somente o único personagem existente a poderia enxergar com clareza. Você.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Entre as reticências.
Marcadores:
Fadinha de Algodão
MUITA sorte.
Marcadores:
#CalvinLove,
Tirinhas
domingo, 21 de outubro de 2012
Post Flash - Primeiro dia.
Que não se negue a importancia dos outros dias, dos momentos especiais e dos encantamentos vividos.
Mas ainda assim, não há nada que se compare ao primeiro.
Porque a partir dele todos os outros são consequencia.
Consequencia daquela primeira fala, daquele primeiro sorriso.
Talvez tenha sido aquela sua primeira piada que arrancou de mim muito mais que o "oi!" inicial.
Ou os ares inalados, que por se só já inspiravam intelectualidade e sabedoria.
Foi aquele, e só aquele dia.
Causado talvez pelas forças interestelares ou pelas coincidencias do nosso Criador, que seja.
O minuto em que nos vimos e verdadeiramente nos encontramos.
E é este o dia que eu louvo e celebro! Pois desde aquele momento já não sou mais quem era, mas componho contigo a soma do "eu+você".
E o resultado...
E o resultado...
... talvez seja o próprio infinito.
Sejamos juntos, até o fim.
Fim que depende dos nossos próprios olhos e, principalmente dos nossos corações.
E mesmo não esperando que chegue, tendo ainda a convicção de que já valeu demais.
Que eu possa agradecer.
Que eu possa viver.
E que você possa sentir... um pouquinho que seja, do que eu sinto por você.
É grande demais. Você merece.
Marcadores:
Post Flash
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Muito melhor agora...
Agora imagina a união de duas coisas que eu tanto amo... e não tem como não se encantar com esse vídeo! :D
Marcadores:
Vídeos
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
1 Corintios 1. 18-31
De fato, a mensagem da morte de Cristo na cruz é loucura para os que estão se perdendo; mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.[...] Deus tem mostrado que a sabedoria deste mundo é loucura. Pois Deus, na sua sabedoria, não deixou que os seres humanos o conhecessem por meio da sabedoria deles. Pelo contrário, resolveu salvar aqueles que crêem e fez isso por meio da mensagem que anunciamos, a qual é chamada de “louca”. [...] Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Pois aquilo que parece ser a loucura de Deus é mais sábio do que a sabedoria humana, e aquilo que parece ser a fraqueza de Deus é mais forte do que a força humana. [...]Para envergonhar os sábios, Deus escolheu aquilo que o mundo acha que é loucura; e, para envergonhar os poderosos, ele escolheu o que o mundo acha fraco. Para destruir o que o mundo pensa que é importante, Deus escolheu aquilo que o mundo despreza, acha humilde e diz que não tem valor. Isso quer dizer que ninguém pode ficar orgulhoso, pois sabe que está sendo visto por Deus. Porém Deus uniu vocês com Cristo Jesus e fez com que Cristo seja a nossa sabedoria.
Marcadores:
Verdades Absolutas
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Minha Nárnia
Na verdade é esse o segredo. Um desses tão sigilosos, bem escondidos e ainda assim tão obvios, que, por milhões olhares despercebidos, se tornou de todos um dos mais importantes.A partir dele a cabecinha sonhadora que não se limitava ao conhecido passou a ter acesso ao lugar onde encontrava paz. Talvez vários lugares num só. Ou talvez sequer fossem lugares.Tive então consciencia dos portais que descobri.esvendados em situações inusitadasem alguns casos desesperadorase também, na maioria das vezes, do nada.E os descobrimentos ao acaso são sempre os melhores, é verdade.Através deles a magia do destino se revela. Assim, quando nada diferente parece possível, surge a mais linda e inesperada oportunidade de se transpor também.E através dos meus portais, tudo se transforma. A realidade brutal dá realidade ao mundo em que meus olhos reconhecem como meu.Então o tempo para, a canção flui, o corpo vibra. Sensação de oxigênio de volta aos pulmões.O coração se abre e revela a criança; a princesa; a palhaça; a guerreira; a ninfa; e o meu eu.Melhor... o meu novo eu. Porque somente esse novo coração pode ter parte com algo tão perfeito. Esse eu que transborda amor dos meus sentidos.E assim eu sonho, sem sequer fechar os olhos. Porque os vejo. São reais.Até que então, sabendo que não se vive nesse paralelo por tanto tempo, eu volto à realidade com novas convicções e com uma nova face.Ao meu lado a esperança de que um dia já não será mais passageiro.Hei de viver a plenitude constante, ao lado dos meus portais.Que não se fecham, não se escondem e muito menos me abandonam.E enquanto espero pelo dia (e que logo chega), sigo ao encontro mais uma vez.Meus portais. Meus amigos. Meus amores. Meu Deus. Meu mundo.E o que poderia ser não se compara ao que hoje é.Através deles e de mim.
Marcadores:
Fadinha de Algodão
domingo, 14 de outubro de 2012
Menina de alguém.
Enquanto entrava sorridente na lanchonete, meus olhos refletiam a verdadeira face das suas expressões. Para os que não a conheciam tão bem, parecia ser uma dessas meninas maluquinhas, irreverentes, cheias de coragem e dispostas a tudo por uma boa risada. Era talvez agradável de se ver e a convivencia era sempre salpicada de piadas sem sentido que tornavam o nosso ar mais leve. Era uma mocinha bonita, e aquele sorriso que não lhe saia do rosto era seu melhor acessório. Mas depois de algum tempo, de muitas risadas espalhadas e muita amizade amadurecida, já tinha aprendido a contar os olhares e os disfarces. Ela sabia muito bem. Não me enganava mais.E nem era tão difícil notar. Um pouco mais de atenção e seria fácil interpretar a forma despretenciosa como andava. Estava agitada, rindo um pouco mais que o necessário e ficando nervosa ao menor risco de ficar sozinha. Garota boba. Está com medo de pensar.Quando me viu e sorriu de longe, pude ver todos os seus dentes epelos olhosseu coração. Eu sempre a irritei dizendo que tinha olhos grandes demais, e tinha. Com ela passei a acreditar que os olhos são a janela da alma, e disso ela também sabia muito bem. Por isso o olhar nervoso, rápido, quase ríspido, que corria de qualquer correspondencia externa possível. Do jeito que estava se entregaria mais facilmente que o normal.E de repente meu coração se afligira. O que perturbara minha menina?!Percorri em pensamentos todos aqueles motivos que poderiam machuca-la, principalmente os improváveis. Porque além de alegre era muito teimosa. Tinha mania de se recusar a sofrer pelas causas habituais de todo ser humano. "Perda de tempo" dizia. Mas não era... Não se perde tempo com as experiencias que nos constroem e transformam. E elas eram inevitáveis. E ainda que se escondesse, elas um dia encontrariam o caminho atrapalhado do seu coração.E ele era tão pequeno.
Enquanto dançava sozinha ao som da banda (ela tinha mesmo essa mania de querer ser maluca, é verdade), entendi que ainda não seria por agora. Minha menina teria que sofrer para aprender a lidar com a vida. E por mais que sorrisse, que negasse, que fingisse, que forçasse, enquanto pudesse, as lágrimas viriam (talvez incontroláveis).
Porque a vida se constroe em golpes, minha menina. E ser moldado dói.Ninguém disse que seria fácil...Mas ainda quero estar aqui. Adivinhando o que você não me conta e te prestando o socorro que você precisa, no silencio que você tanto preza.Estou aqui.(cadê? =/)
Marcadores:
Fadinha de Algodão
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Evgenia. - por Pedrinho Fonseca
"Escreva, menina.
Professor, mas a que maneira de escrita o senhor professor refere-se, que narrativa, e, desculpe-me, algum tema de sua preferência?
Apenas escreva, menina.
Dimitri, confesso que sinto-me suja, senti-me imunda no primeiro instante. Ter a sua língua entre os meus lábios, passando por entre eles, lentamente, ao encontro de minha, aquilo deu-me um incômodo, não nego que gostei, mas. Mas havia criado uma barreira, você conhece a barreira: ouvia a frase “não posso fazer isso, não devo” durante a eternidade do seu – do nosso – beijo; portanto admito que começar a sentir em mim o calor do seu corpo aproximando-se deflagrou um arrepio, o que contrapõe-se a uma ideia rígida que possuía, que arrepios estão condicionados ao frio. Há o abismo entre nós, conhecido, Dimitri. Você está numa margem, estou na outra margem. Entre nós, um abismo negro onde consigo ler, ao olhar para o fundo, palavras como afaste-se, cuidado, não, proibido, finja, esconda. Sei que o abismo tem a espessura de um passo; isso, Dimitri, me desespera. Sei que basta dar um passo e as palavras ficam para trás, como pesadelos de ontem, e sobraria, à minha frente, você, uma ponte. Você, minha ponte inacabada, estique-se, dê-me as mãos, eu tenho medo, mas sei que posso, que devo, no fundo eu sei que devo, pois o abismo e suas palavras são ilusões de uma alma atormentada pelas culpas, verdades absolutas, meras convenções que nos contentamos ao longo dos anos; e vamos envelhecer um dia, Dimitri, e isso tudo, este abismo horroroso, será lembrado como um passo não dado, apenas; dê-me, venha, estenda-me as mãos, Dimitri, eu imaginei outro, mais outro, tantos outros beijos. A pele tem calafrios, está quente e tenho calafrios, mas não febre, o que eleva-me a uma possibilidade de querer. E querer é tudo aquilo que não quero, não posso, eu digo em voz alta “não quero” e não escuto eco no abismo, pois o abismo é falso, você é minha ponte, estique-se, só mais isso que o peço, estique-se, puxe-me, irei. Tenho vontades que jamais confessarei, não hoje, talvez amanhã; a coragem, quando igual ou maior que a vontade, faz-nos andar; acene para mim, despeça-se de mim, é tudo o que não preciso, Dimitri, mas faça por mim, talvez eu entenda, na dor, que não posso perder-me. Não posso perder-me. Minha madrasta. Ela casou com meu pai, ela atravessou um abismo, quem mais?, quem mais?, me dê um exemplo, Dimitri, a coragem nasce do exemplo do outro, que por ora revelou-se capaz; capaz de eu conseguir, dê-me uma das mãos apenas, já sinto ter a coragem, falta-me levantar a cabeça, trocar a visão do abismo pela do horizonte; ajude-me, Dimitri; minha negação do passo, um pedido de ajuda. Ajude-me, Dimitri. “Não posso fazer isso, não devo”, que tormento ouvir a minha própria voz falando-me mentiras, desfazendo-me do que verdadeiramente sou; que sentimento falível, este, a covardia. E justifico-me em outro pior, o heroísmo. Eu, heroína da vida de tantos, que hipocrisia. Faltava-me um cavalo, espada, escudo e um corte de cabelo menor, uma espécie de guardiã do desamor, que triste fim. E o beijo, lembro-me, como dizia antes, da sua língua lenta e áspera, lembro-me como se fora verdade, ainda que saiba que não. Que é coisa da minha mente, não nos beijamos; fui beijada em pensamento por você. Obrigada, Dimitri. Antes o abismo fosse largo, longo, mais escuro, intransponível: sim, intransponível – assim eu diria “não vou fazer isso, mas prefiro morrer – e vou”. Não. Não. Não, Dimitri, tenho em minhas mãos um livro que não era seu, mas que diz que “a verdadeira verdade é sempre inverossímil”, isto tudo que não acreditamos é o que temos, vamos; dê-me a sua mão.
Escreves como quem ama, menina."
Pedrinho Fonseca (Texto extraído do site "Loja de Histórias")
OBS: O site foi realmente um achado! A "Loja de Histórias" na verdade não é exatamente um loja... talvez um brechó (kkkk' ou não). A idéia do autor (o Pedrinho) é a seguinte: as pessoas lhe enviam fotos tiradas em qualquer lugar, qualquer situação e então ele faz uma história (ou também música, verso, conto, poema) baseado no que a imagem transmitiu pra ele. Detalhe de que ele não aceita informação nenhuma sobre a foto enviada. Esse texto foi um dos que mais curti no site!
É uma daquelas ideias simples que a gente curte e fica se lamentando de não ter imaginado antes, sabe?!
Marcadores:
Escritos e Livros
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Post Flash - Raros meus
É aquele livrinho que me ensinou muita coisa nessa vida...Mas tem uma coisa que se aprende, é que, não importa quantos clássicos tenham sido lidos, quantas páginas revistas ou quantos autores tenham sido conhecidos - as palavras que os livros trazem só ganham sentido quando sua vida se apropria delas.Elas tem poder, evidentemente. Mas enquanto sua vida corre, elas podem se revelar de volta.Acho que foi assim dessa vez.
" Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida, um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa." O Pequeno Príncipe - Diálogo com a raposa
Sempre pensei em como existem mesmo pessoas incríveis no mundo (insisto em acreditar que são maioria). E sempre pensei em como seria incrível conhecê-las.
Entenda-se. Durante muito tempo não tive essa chance.
Mas o tempo passou e elas vieram até mim... não todas as pessoas do mundo, mas de todas as mais incríveis.
E não é exagero meu.
Porque o amor que foi despontando, crescendo e amadurecendo as fez com que fossem únicas!
E não há equação que possa traduzir tal resultado.
São meus... meu coração os transformou. Mesmo não sendo perfeitos, e talvez até parecendo como tantos outros para os de fora, ainda assim são raros, espetaculares!
Se vocês pudessem se ver com os meus olhos...
Eu sei que é amor. Obrigada.
OBS: É bem provável que eu faça postagens inspiradas em "O Pequeno Príncipe" até o fim da minha vida. #SantoExupery
Marcadores:
Post Flash,
Pra Quem Guardei Meu Amor
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Bruta Flor, Maria [2]
Menininha da cabeça dura e da perna bamba, era Maria que passeava no quintal de frente pra janela. "Quintal de verdade é esse" dizia a Dinda todo o fim de tarde, quando inventava uma visita pra comer mais um pedacinho do bolo de fubá que D. Luzia fazia. Mamãe de Maria era mestra em fazer duas medidas de açúcar e farinha virarem comida de comer ajoelhado.
Não havia conceito de pobreza que traduzisse a cena que se via. Apesar da comida pouca e da dispensa vazia, todo mundo era rico no coração e na fantasia. O trabalho no roçado trazia uns bons trocados, e nem precisava gastar comprando ovo ou leite, porque os bichinhos da casa já os serviam com primazia. E no fim das contas era divertido comer hoje sem saber o que teria pro outro dia. Apesar de mamãe não acreditar no que ouvia, papai sempre abria um sorriso e todo encolhido dizia "está lançado o desafio, Maria!". Quem acertasse ganhava dois pedaços de rapadura fresquinha e um bucadinho de farinha extra prêmio melhor não havia!
A casa era pequenininha, coberta de taipa e recheada de aconchego. Também não havia necessidade de muito. Durmiam nela só mamãe, papai e Maria. Mas a uns tempos atrás ainda vivia o Manuca, o bebê mais novo e com as bochechas da cor de terra queimada. Era uma belezura! Tinha os olhinhos mais doces que a menina já vira. Mas Manuca ficou doente, teve de ir pra Capital. Mas Capital é lugar grande demais, muito complicado. O pequeno Manuel se já não era grande, praticamente sumira no meio de tanto "fuzuê" de hospital lotado. Mamãe não fala muito no assunto, por causa do cisco que vive rondando o olho dela, mas Maria sabe que Manuca acabou sendo enterrado no quintal por conta disso.
De manhã cedinho, quando o sol fingia que dormia, acordava todo mundo - inclusive Maria - e partia com a vizinhança pro roçado grande. Era povo trabalhador, do braço forte, com o almoço debaixo do braço e enxada na mão. Maria ia de graça, porque sozinha em casa não podia ficar. Mas ela gostava do furdunço e da agonia, e vivia animada em querer ajudar. Ainda assim só no querer ficava. Suas mãozinhas pequenas e bracinhos finos eram de muita pouca valia. Para pegar no batente e preparar a terra ela não servia. Muito menos espalhar o adubo, quando ficava mais esterco na roupa do que no chão do roçado, o que a mamãe enlouquecia. Espalhar as sementes ou distribuir as mudas seria uma boa saída... se não fosse justamente a habilidade de papai, o famoso dedo verde do roçado. Talvez fosse herdado por Maria, mas até quando fosse necessário realmente não saberia.
Mas se havia uma coisa a qual a menina sabia, era arrancar erva daninha bixada. Apesar da pouca forma, tinha pegado o jeito. Um estralinho pra cá, três voltinhas de levinho, e arrancava toda a raiz sem deixar na terra um só pedacinho! E era serviço importante, esse de Maria. Afinal plantar e regar não tinha importancia se a plantação tão bem cuidada fosse cercada das ervinhas inimigas. E aquilo fazia um bem danado. Se conseguisse tirar todas as malditas no campo do dia, ganhava leite fresquinho da esposa do patrão. E leite melhor que aquele não havia! Leite que ela ganhava com o esforço dos bracinhos descabrunhados, mas cheios de alegria.
[...]
OBS: Outro que eu não terminei. -.-' Na moral, preciso dar um jeito nisso!
[...]
OBS: Outro que eu não terminei. -.-' Na moral, preciso dar um jeito nisso!
Marcadores:
Escritos e Livros
Assinar:
Postagens (Atom)




