segunda-feira, 30 de julho de 2012

Janelinha [?]

Que eu me permita sonhar então... é tão estranho.
Como que se minha mente [essa que considero tão exploradora] nunca tivesse cogitado a possíbilidade de um dia voar mais longe.
Porque ontem o agora já era longe demais.
E o agora hoje já parece tão pouco...

De repente, de uma frestinha, uma janela se escancara logo a minha frente
e aquela luz vem e me ofusca os olhos.
Ainda é apenas uma janela.
Mas me ponho a pensar em tudo que poderia ter acontecido e não aconteceu.
E se houvesse um motivo além daqui?
Mas me ponho a pensar em tudo o que aconteceu, e em como foi importante pra mim.
Então...

Qual é o propósito Dele?

sexta-feira, 27 de julho de 2012

É pra ouvir... Assinado eu [Tiê]



 
 
Já faz um tempinho que eu curto Tiê. Uma das carinhas da nova geração da mpb, e é mesmo bem legal... legal, fofo e criativo. Há, claro, quem ache estranho e tal. Mas eu já assumi que curto mesmo, e eu sou boba com essa música.
A letra é má (kkk' engana quem?), mas a voz e violão... huum, me encanta!

Então eu continuo ouvindo! :)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ah, o amor.

"Pois de amor andamos todos precisados!
Em dose tal que nos alegre, nos reumanize,
nos corrija,  nos dê paciência e esperança,
força, capacidade de entender, perdoar,
ir para a frente!
Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine
contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais
que estamos vivendo ou presenciando."

Carlos (Gênio) Drummond de Andrade


terça-feira, 24 de julho de 2012

Bruta Flor, Maria



           Era uma mocinha do campo. Jeito simples, olhar mimoso, boca calada. Num barulho se virava e assustava, mas abria o mais puro sorriso ao ver de longe um passarinho. Era mocinha pobre, mas de mente rica. Com o pouquinho que sabia, se permitia analisar aquele mundinho que a cercava. Talvez fosse esse o segredo. Ela era simples. Uma simples Maria. Maria que a tudo via e a tudo explicava, estando certa ou errada, encontrava nas coisas um sentido.

           Até que um dia encontraram Maria. Uma moça da cidade, de boca vermelha e vestido lustroso. Não era bonita, mas o rosto corado chamava a atenção. Olhou a menina e se encantou com as coisas que dizia. Quem sabe fosse o sotaque rústico ou a mania de narrar o mundo. A moça perguntou se sabia ler, até que série havia estudado, se já ouvira falar em Shakspeare, se queria conhecer Paris, de qual cor mais gostava, se gostava de vestidos elegantes... e tantas outras perguntas que fizeram Maria balançar a cabeça, atordoada. Aos pouquinhos a menina foi "fechando a cara" e parou de tentar responder. E quando a moça, ao enfim perceber o incomodo da menina e questionar o motivo, ouviu Maria responder:
            - Pra quê?
            E pelo causo foi o suficiente. A moça de boca encarnada se levantou animada e pediu para conhecer a casa de Maria. Queria levá-la. Mostrá-la o mundo, sua casa. O sertão era pequeno demais para Maria.

           A mãe chorosa relutou. Apesar dos outros seis filhos, amava muito sua Maria. No fim das contas aceitou obrigada pela própria menina. Não que ela quisesse ir, mas a moça prometera ajudar nas despesas e também daria uma vaquinha para o leite dos menores. Não era oferta que se recusasse. Arrumou uma trouxinha com o vestido de domingo (porque a moça disse que a faria muito elegante, e aquilo era a coisa mais elegante que tinha) e pôs a sandalhinha de couro na estrada. A mãe ao longe ainda chorava, orando em silencio pelo retorno breve da filha.
          
           Duas horas de viagem e chegaram ao trem. "O primeiro de muitos" a moça rosada dizia. Teria que aprender seu nome - Prima Rosália, ela insistia. Parecia feliz com a nova conquista. Era moça solitária buscando compainha. Tinha brilho no olho que alarmava o coração. Parecia ter sofrido por amor algum dia. Mas Maria permanecia calada. Por enquanto, queria só olhar. Mais dois minutos, e teve medo.
           - Se quiser, posso voltar pra mainha?
           - Oh... - disse a moça enquanto escolhia as palavras - será um pouco complicado, mas...
           - Tudo bem.
Passou.
[...]

domingo, 22 de julho de 2012

O Diálogo entre a Raposa e o Principezinho

XXI

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
"Eu estou aqui," disse a voz, "debaixo da macieira..."
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho - Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas
também. É a única coisa interessante que eles fazem - Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços".
- Criar laços?
- Exatamente, - disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho.
Existe uma flor. . . eu creio que ela me cativou ...
É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra ...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom ! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo ...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me - disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um amigo,
cativa-me!

- Que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto ...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração ... É preciso ritos.
- Que é um rito? - perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa, É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso!
Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias !
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah ! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse ...
- Quis, - disse a raposa.
- Mas tu vais chorar ! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada !
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda.
Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era
uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo.
Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se
lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

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"Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"


Eu lembro a primeira vez que li "O Pequeno Príncipe". Acho que tinha uns 10 anos e estava passando as férias em Juiz de Fora-MG (minha terra *-*) na casa de Tia Maria. É um lugar ótimo, porque meu tio é do tipo maluco colecionador de coisas interessantes. Ele é incrível. Coleciona desde canetas a miniaturas de carros, filmes, seriados e REVISTAS DE QUADRINHOS. Muuitas, milhares delas! Imagine toda a coleção dos personagens Disney, acumuladas ano após ano, por mais de uma década. Tio Patinhas (minhas prediletas), Pato Donald, Pateta, Pluto, Mickey, Miney, Margarida, Zé Carioca, também a Turma da Mônica... fora aquelas HQ's originais, caríssimas e importadas do Homem Aranha e Batman que eu nunca toquei (como se eu soubesse ler inglês kkk) e que ele guarda num cofre escondido na casa. Sim, infelizmente ele é um super protetor das coisas dele (mas eu já tratei de fazer com que fique tudo pra mim no testamento dele kkkkk).
Mas voltando... Foi numa destas tardes preguiçosas, eu enfurnada em casa vasculhando as revistinhas, que minha tia me chamou a atenção.
- Nós temos "O Pequeno Principe" aqui em casa... se quiser, você poder ler.
É claro que ela queria que eu parasse de bagunçar a casa (kkkkkkkkkkkkk'), mas foi uma proposta interessante. Nunca tinha lido, mas minha mãe já falava do livrinho a muito tempo. E foi ai que eu li... e eu leio pelo menos uma vez por ano (são só duas horas de leitura), só pra não me esquecer.
Porque naquela época, esse diálogo meio que ficou guardado na minha cabeça, e apartir de então foi justamente o fator "cativar" que eu passei a procurar nos outros. Custei muito a achar amigos de verdade (minha mãe que sabe das crises que eu tinha kkkkk'). Mas então eles me apareceram, devagarinho, de onde menos imaginava... e hoje, acada novo amigo, é do que a raposa disse que eu me lembro. Porque ela me mostrou o sentido daquela frase "amar é a arte de sentir falta", quando eu nem sabia disso direito. Continuo aprendendo, tentando entender. E continuo descobrindo, a cada nova amizade, o sentido disso tudo. E ficando ainda mais feliz a cada dia.

Por que essa coisa de amizade é um dos meus assuntos prediletos. :)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Post Flash - Pelo direito do meu "eu".

As vezes olho para mim mesma e tenho medo.
Medo de, aos poucos, me converter ao convencional; comum; normal. O que seja.
Porque enquanto me permito a espontanedade, continuo me permitindo ser quem sou.
E não fo, quem mais vou ser?
Fruto da vontade alheia?
Espelho do que os outros querem ver?

Não, meu senhor, não quero.

Por que o normal (além de chato e previsível) se deixa misturar à multidão e acaba te transformando em... em nada.
Não dá pra mim.
Eu quero tudo.
Tudo o que posso esperar, sonhar... e viver.

Então que os meus olhos não se convencionem aos convencimentos na massa.
Que o estranho me maravilhe e que o absurdo me satisfaça.
Quero ser feliz com a minha personalidade própria.

E quero encontrar tantos outros que concordem comigo. Ou não.
Mas que tenham raciocínio lógico suficiente para lutarem por serem eles mesmos.
:)

terça-feira, 17 de julho de 2012

Minha estrela



A vi no mesmo dia que contemplei as estrelas pela primeira vez.
A vez em que tive dimensão de sua realidade.
Tão linda, única; tão distante.
Admiraria eternamente, se me permitisse.
Seus olhos, mesmo tão dispersos, me envolviam na áurea de mistério que a cercava.
E como um louco partindo para o desconhecido, me apaixonei.
Ah, se pudesse alcançá-la.
Se pudesse descobrir os segredos a nenhum outro revelado.
Se, por um instante, pudesse sentir o calor do seu brilho, que irradiava e inundava a minha vida.
Eu a amava.
De forma tão intensa e desmedida, que obriguei meu coração a se calar.
Fiz dela o meu sonho mais desejado;
meu desejo mais encabulado;
minha ilusão sem esperanças.
Ainda assim, se fecho os meus olhos, posso encontrá-la.
E ela me olha, e eu me vejo.
Somos um na harmonia de nossas vibrações, e sorrimos.
Alcançamos o céu e o espaço, e nos unimos.
E de olhos abertos, sigo a contemplá-la.
Desenhando ao seu redor a constelação que lhe é digna.
À luz do meu amor, que com o Sol renasce a cada dia.
[...]

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Amizade


Digam o que quiser... Maurício de Sousa é gênio!

Amigos. E o que seria de mim sem eles?
Amor, pra sempre. <3





domingo, 15 de julho de 2012

Ponto 1.

Custei a abrir os olhos, mas a noite tinha mesmo que acabar.
E o quanto custou...
Na lentidão da ocorrencia dos fatos, me exclui de tudo que pudesse me afetar novamente.
E do que adiantou? A apostasia que anulou meus pensamentos e meu coração.

E é tão complicado.
Sair do que já se tornou comodo.
Felizmente, cômodo mas inaceitável.
Por que uma vez vista a luz, não é mais possível voltar à escuridão.

Mas ainda assim vai ser difícil, eu sei.
Ainda tenho um longo caminho de volta... se é que vou voltar.
Talvez agora o caminho aponto para outro lado. Algo melhor.

Eu espero. Eu quero.
Eu vou.