sábado, 29 de março de 2014

Sociedade do Medo.


O seu único desejo, era viver, crescer e descobrir o que o futuro traria por si só.
Mas não seria uma simples questão de respirar e seguir em frente. Porque a civilização se tornou o lar de uma sobrevivência absurda, sem o minimo direito de resistência. Sem o direito de se enxergar numa guerra. Sem o direito de se defender ou recuar.
Ao olhar à tv, ou para a janela de casa, recebe na cara um terrorismo que parece distante e, ao mesmo tempo, perto demais.
Então você se esquece, acorda pela manhã, pensa positivo - "essas coisas não aconteceriam comigo" - e... você não precisa sair de casa. Porque não há lugar seguro. Não momento propício.
Ao esperar alguém do lado de fora, a loucura de alguém não lhe permitiu uma escolha.
Ao chorar em uma situação assustadora, sequer o clamor de sua mãe impediu que um ato absurdo o calasse.
Ao sair para encontrar amigos, a cegueira infernal de um infeliz tirou dela grande parte de sua dignidade e privacidade.

E a culpa de quem? Por causa de quem? E fazer o quê?
Sei que somos alvos ambulantes, quase esperando ser atingidos. E a troco de quê?
Estatísticas dramáticas que te consomem e te reduzem a nada.

E se não esperar em Deus, esperar em quem?
Misericórdia.
E luto.